Num mundo e numa sociedade em constante transformação a medicina está também ela a mudar e a evoluir. Novos problemas de saúde e novos riscos emergem constantemente. O sistema de saúde é cada vez mais complexo. Existe uma preocupação crescente com a qualidade e com a segurança. As tecnologias de informação crescem em poder e complexidade. As expectativas dos cidadãos estão em constante crescimento. Neste contexto, é hoje comummente aceite, nacional e internacionalmente, que a prática médica ideal centra-se na pessoa, orienta-se para a saúde e tem um âmbito comunitário. Por isso, nos países mais desenvolvidos, os médicos de família ocupam uma posição central na garantia da prestação de cuidados de saúde globais, continuados, coordenados e personalizados. O seu papel, a par com o dos restantes prestadores de cuidados primários, é reconhecido como sendo essencial à optimização dos recursos disponíveis e à obtenção de qualidade, equidade e eficiência nos sistemas de saúde. O actual médico de família tem uma identidade profissional própria, formação adequada e um conjunto bem definido de qualificações.
No centro da missão da Medicina Geral e Familiar, está a prestação de cuidados de saúde globais, integrados, de forma contínua e personalizada a cidadãos no seu contexto familiar e social. O médico de família, está bem colocado para prestar cuidados primários, lidar com uma grande variedade de problemas de saúde e desempenhar o papel integrador, que a crescente especialização tornou imprescindível. É, muito certamente, aquele que melhor realiza o conceito de saúde, hoje entendida como um equilíbrio dinâmico entre factores intrínsecos ao ser humano, de natureza biológica, psico-afectiva e comportamental e factores extrínsecos, próprios do meio ambiente físico e relacional que o rodeia. Mas para sermos efectivos e irmos de encontro às necessidades das pessoas e da sociedade, será necessário estabelecer algumas prioridades e redireccionar os nossos esforços no sentido de: • Aumentar a acessibilidade nomeadamente nos casos de doença aguda • Centrar a atenção na prevenção e na intervenção precoce • Melhorar a gestão da doença crónica • Apoiar a integração e prestação de cuidados multidisciplinares • Seleccionar a evidência disponível para a prestação efectiva de cuidados de qualidade • Utilizar a tecnologia para apoiar boas práticas Bons cuidados de saúde primários, é bom para as pessoas e bom para o País. Para isso é necessário manter elevados níveis de qualidade. Para se poder manter elevados níveis de qualidade na prestação de cuidados, é necessária uma politica consistente de Desenvolvimento Profissional Contínuo e este só se consegue com uma aprendizagem contínua ao longo da vida. Uma boa formação, torna os profissionais mais confiantes e mais competentes no seu desempenho. Uma formação deficiente deixa as pessoas frustradas, ansiosas e desmotivadas. Temos que utilizar as capacidades que as novas tecnologias colocam ao nosso dispor, e desse modo facilitar essa necessária contínua aprendizagem ao longo da vida. Este 1º Congresso Virtual de Medicina Familiar será seguramente uma excelente oportunidade para podermos aprender uns com os outros. Luís Pisco |